A fila que não aparecia no PCP
A fila que não aparecia no PCP
Às oito, o gerente comercial abriu a porta com o café na mão e encontrou três colegas esperando no corredor da gráfica. A vendedora segurava uma pasta. Outro, uma prancheta. O mais novo já tinha separado os papéis.
“Deu algum problema?”, perguntou. “Só preciso liberar um desconto.” “Eu queria confirmar uma condição.” “E eu não sei se posso negociar a entrega.”
Antes do primeiro gole, chegaram mais duas consultas. Nenhuma era complicada, mas tudo dependia dele. “Pedidos, não. Hoje virei o departamento de autorizações!”, brincou.
A fila diminuiu, mas os clientes continuavam esperando respostas. Uma colega então perguntou. “E quando você sair de férias, quem vai decidir?”
O gerente olhou para a xícara. O café já estava frio. Dessa vez, ele não tinha uma resposta pronta.
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Às oito, o gerente comercial abriu a porta com o café na mão e encontrou três colegas esperando no corredor da gráfica. A vendedora segurava uma pasta. Outro, uma prancheta. O mais novo já tinha separado os papéis. “Deu algum problema?”, perguntou. “Só preciso liberar um desconto.” “Eu queria confirmar uma condição.” “E eu não sei se posso negociar a entrega.”
- A pilha de papelão que virou parte da paisagem
Carlos parou no corredor da fábrica. Uma pilha de chapas de papelão ondulado estava visivelmente inclinada, bem perto de uma máquina para fabricar caixas. “Desde quando está assim?”, perguntou. “Desde segunda. Passo aqui todo dia”, respondeu Beto. Carlos olhou para o alto da pilha. “E vamos esperar ela escolher o dia de cair?”
- O relógio da gráfica não contava as trocas
André saiu da offset com uma folha impressa. O pedido grande havia terminado cedo. Na bancada, Lucas separava chapas e provas de encomendas menores. Beto, de boné e camiseta manchada, observava a confusão. “Mas esse segundo pedido não era bem menor?”, perguntou Beto. “Era. Só esqueceram de avisar para as trocas”
- O contador automático perdeu para o polegar
Na bancada da gráfica, Paulo separava folhas impressas em pequenos montes. Contava baixinho, acertava as bordas na mesa e começava de novo. Fazia isso tão rápido que os colegas brincavam que seu polegar tinha vida própria. O funcionário recém-chegado observou, olhou para o painel e perguntou se o equipamento não fazia aquela contagem sozinho.
- Um código de barras colocou a expedição de joelhos
A carga estava quase pronta quando o conferente encontrou um código de barras rente ao pallet. Tentou ler em pé, inclinou o aparelho e acabou agachado, com um joelho no chão. O colega passou e perguntou se havia perdido alguma coisa. “Não perdi nada. Estou procurando um código que resolveram esconder!”


























